Marcas
Marcas.
Cobertas por base e corretivo,
escondidas com cuidado —
como segredos que imploram para não serem descobertos.
Pulseiras.
Faixas.
Camadas e mais camadas
tentando silenciar aquilo que grita por dentro.
Mas nada…
nada consegue esconder
as marcas de uma tristeza profunda,
remoída, corrosiva,
cravada no peito de um coração cansado de sofrer.
Alguns olham e dizem:
— “Por que você fez isso?”
— “Isso é só para chamar atenção.”
— “Isso é graça.”
Palavras jogadas ao vento,
frias, vazias,
de quem nunca mergulhou na dor de outro alguém.
Porque, no fundo,
ninguém sabe a verdade.
Ninguém enxerga o abismo
por trás de marcas que, ironicamente,
chamam de “feias” —
ou até de “belas”,
sem entender o que custaram.
Ninguém sabe o porquê
de alguém ferir o próprio corpo
quando a alma já está em ruínas.
Mas eu sei.
Eu sinto.
Carrego isso desde os meus quatorze anos.
Hoje tenho dezoito —
quatro anos aprendendo
a sofrer em silêncio.
E não é fácil.
Nunca foi.
Quando a dor transborda,
a gente só quer despejar em algum lugar,
em alguma coisa…
mesmo que essa coisa
seja o próprio corpo.
Talvez seja uma forma menos pior
do que partir de vez.
Não por falta de coragem,
mas por ainda existir
um fio invisível
que nos prende à espera.
À espera do limite.
E quando esse limite chegar…
o que será de mim?