Quando a gente é criança, a gente aprende a sonhar antes mesmo de aprender a entender a vida.
Sonha com casas grandes, com festas bonitas, com bolsos cheios de dinheiro que nem cabem direito na imaginação.
Mas, no fundo…
O coração é mais simples do que tudo isso.
Ele não pede luxo.
Ele pede colo.
Há quem cresça querendo ser grande no mundo,
Mas há quem, em silêncio, só peça pra não ser pequeno dentro de si.
E eu…
Eu nunca quis ser dona de tudo.
Eu só quis ter alguém com quem dividir o pouco que a vida fosse me dar.
Porque de que adianta a mesa farta
Se a cadeira ao lado está vazia?
Há uma tristeza que não tem nome de doença,
Não aparece em exame,
Não se resolve com remédio.
É uma dor mansa e constante,
Dessas que moram na alma
E fazem a gente perguntar baixinho, quase com medo:
“Será que alguém vai me amar assim… inteira?”
Inteira, com as partes bonitas e as quebradas.
Com os sorrisos fáceis e os silêncios difíceis.
Com a bagunça na cabeça
E o aperto no peito que às vezes nem sabe explicar.
E então, no meio desse mundo apressado,
Alguém para.
Senta do lado.
Não tenta consertar.
Não foge.
Só fica.
E ficar…
É uma das formas mais bonitas de amar.
Não foi obrigação.
Não foi costume.
Foi escolha.
E quando alguém escolhe ficar,
Mesmo podendo ir,
A gente entende que o amor não é sobre ter —
É sobre permanecer.
Eu ainda sou tempestade às vezes,
Brigo com o vento, discuto com o silêncio,
Mas dentro de mim existe uma vontade imensa de cuidar,
De fazer dar certo,
De ver o outro sorrir como se o sorriso dele fosse casa.
Porque amar, no fim das contas,
É isso:
É preferir dividir as dificuldades a carregar facilidades sozinho.
Há quem diga que a distância enfraquece,
Mas eu acho que ela ensina.
Ensina o valor do abraço antes dele acontecer,
O peso de um beijo que ainda é sonho,
E a beleza de sentir perto
Mesmo quando o corpo está longe.
E, veja…
No meio de tudo que eu já pedi a Deus,
Nunca coube riqueza.
Mas coube isso:
Um amor que soubesse me ouvir em silêncio,
Um coração onde eu pudesse descansar
Sem precisar esconder minhas dores.
E talvez seja esse o milagre mais simples —
E mais raro:
Ser visto,
Ser escolhido,
Ser amado…
Não apesar de quem você é,
Mas exatamente por isso.