\"Às vezes me sinto como uma alma antiga, condenada a viver em uma era aterradora de modernidade vazia. Algumas almas nascem com o peso das marés. Enquanto o mundo caminha sobre a superfície, eu sinto a pressão das profundezas — uma âncora invisível me lembrando, a cada respiração, que o meu Norte não é encontrado em mapas comuns. Este diário não é uma busca por solo firme; é o registro de quem aprendeu a escrever enquanto afunda, transformando o silêncio do oceano em tinta.
Busco meu reflexo entre as linhas pálidas de cadernos que ainda nada dizem, tentando traçar um destino que insiste em se apagar. Mergulho em minha própria imensidão, onde as mãos do meu coração enferrujaram sob o peso dos séculos, mas o sopro da vida persiste: inalo o pouco que resta nesta bolha final de ar. Diante de mim, terras desconhecidas emergem da névoa — portos incertos que não sei se devo habitar. E assim, sem bússola e sem medo, começo a vagar.
Mesmo que eu não aguente mais, eu ainda luto.\"