Francisco Ribeiro

uma imagem, um poema, uma canção...

 

Há imagens que são poemas,

e, sejam quais forem os temas,

são como uma canção.

Soam os seus coloridos,

como acordes saídos

das cordas de um violão.

 

 

Ouvem-se os olhares

como notas aos pares,

rimando na expressão...

Como palavras cantadas,

ao som de cordas vibradas

pelos dedos da tua mão.

 

É como música que acalma,

conforme esteja a alma

e a tua disposição...

Ou — se dela tão carente —

é como música ardente

que te inflama o coração.

 

Um “adeus!” é um “DO”,

Que, dado por si só,

faz da música Fado....

Já um beijo é um “LA”,

uma carícia, um “FA”,

caminho para um “bom-bocado”.

 

E o teu olhar, então, um “MI”,

que, cruzado com o meu — um “SI” —

compõe uma Balada...

Quando se junta o “RE” ao “SOL”,

por debaixo do lençol

e a noite fica… mais agitada.

 

Bom,

está a escala acabada

nesta conversa cantada

que à noite pôs fim.

E quando forem de viagem,

se “escutarem” cada imagem…

 

lembrar-se-ão

de mim.