Creio que, de certo modo,
escrevemos, sim, com tinta de desejo,
o roteiro do que a gente quer viver.
Idealizamos cada toque, cada beijo,
aquele plano perfeito, antes mesmo do amanhecer.
Mas nesse semear duro do tempo,
a terra morde o vácuo, o que a mão plantou.
Os dias acontecem, leva o alento,
e por medo, nada vira o que se sonhou.
Crescemos na ilusão de que controlamos,
o compasso do mundo ao redor.
Mas somos barco, não oceano,
à mercê de uma força maior.
O esforço é bicho que se consome,
pra estar perto de quem se quer bem.
Mas amor não é nome que se some,
se o outro braço não abraça também.
É jogo de espelho, mão que duplica,
se um falha no lance, o outro se istrupica.
Nenhum \"romance\" a vida justifica,
quando a escolha de um lado vai.
Negar o erro, vestir de poesia,
não olhar nos olhos e entender a própria intenção.
Ocorre a falha nítida, o desencontro vão,
é falsificar a biografia,
e entregar o rumo sempre pra outra mão.
O esboço e rascunho do roteiro rasga, o prumo entorta,
a vida reescreve sem nos avisar.
O amor aceita, fecha a porta,
e um novo caminho se dá a traçar e reinventar...
Mas deixa pra lá, vou \"idealizar\" e eu mesmo fazer o fim.
Gastei muito tempo aqui em imaginar e reescrever,
uma vida inteira sem te conhecer.
Rasgo as palavras, enfio goela abaixo essa experiência que foi vivida e sentida para desmontar os versos das poesias,
melhor me livrar de vez e voltar a seguir meus dias.
Pois de nada vale ter a verdade à frente,
se você mesmo tapa a visão e a mente.
De nada adianta saber o que o peito sente,
e negar ao coração o que é seu, simplesmente.
Se sua felicidade é apenas no mundo da imaginação,
sem erros, sem acertos, sem diálogo, sem decisão, sem ação...