Pego-me em êxtase, sofro com o passar do tempo
Com os instantes que já foram, e com os que irão vir
Sinto que a paz, a mesma que um dia me assombrou, faz-me falta tremenda
E que as mudanças são inevitáveis
Como pôde alterar-se tanto, as pessoas com que convivia, já não são as mesmas!
Os lugares que frequento, ou não existem mais, ou transfiguraram-se em outro, que não há mais significado a mim
Olho-me no espelho, e não sou eu; já fui eu, hoje sou uma forma mimética
Sinto falta do controle absoluto, da casualidade, dos balanços de rede e principalmente do afago de ser criança
Por isso culpo-te tempo. Sem direito a escusas.