Carlos Lucena

CARNE

CARNE

Carne barata
Carne barata
Não tem em lata
Não tem em lata.
Carne que é nua
Servida crua
Carne que geme
Carne que treme
E depois chora
Carne que vira pão 
Que  não carece plantar no chão.
De baixo preço
Sem endereço
Qualquer lugar 
Lhe faz o berço.
Carne risonha
Esconde a lágrima da ilusão.
Não é exposta 
Mas está posta
Mesmo que o sim lhe seja o não.
Carne espremida 
De tão doída 
Tão dolorida 
Mesmo vencida
É a saída 
Que não dá nome
A quem na fome 
Está perdida!