Estar com você
foi como rasgar o calendário
e descobrir
que o tempo não mora nos dias —
mora no toque.
Antes, eu vivia adiando o instante,
como quem guarda o céu
para uma noite que nunca chega.
Mas você veio
com olhos de constelação acesa
e me ensinou a caber no agora.
Seu riso tem pressa de eternidade,
e quando me chama
o mundo inteiro desacelera
para caber no som do meu nome
dito pela sua voz.
Amar você é um cometa urgente,
riscando o escuro
sem pedir permissão ao futuro.
É fogo que não espera,
é pulso que não se explica —
apenas vive.
E eu, que sempre fui depois,
aprendi em você
a ser instante.
Nossos corpos
são relógios desobedientes,
marcando o tempo em batidas descompassadas,
como se o universo
tivesse esquecido de nos separar.
Cada segundo ao seu lado
é um céu que se abre,
um infinito que se permite
ser pequeno,
só para caber
entre o seu abraço e o meu.
Se o amanhã vier,
que venha —
mas não me leve daqui.
Porque viver, agora eu sei,
é isso:
ser inteiro no brilho breve
de um agora que arde,
quando estou
com você.