Há um jardim que só floresce quando penso em ti,
e nele, August, teu nome repousa
como orvalho sobre pétalas que ainda tremem de saudade.
Escrevo às tuas rosas —
essas guardiãs silenciosas do teu perfume —
como quem confessa à terra
o segredo de um amor que não coube no tempo.
Cada rosa carrega um sopro teu,
um gesto, uma nota esquecida no ar,
como se teus dedos ainda tocassem o invisível
e as melodias caíssem do céu
em flechas de luz sobre meu peito.
Ah, essas flechas…
ferem sem ferir,
iluminam minhas noites
e transformam minhas lágrimas
em pequenos rios de brilho.
Choro, sim —
mas são lágrimas que sabem teu nome,
que deslizam suaves como violinos distantes
e se perdem no silêncio
onde tua ausência ainda canta.
Diz às tuas rosas, meu amor,
que não deixem o vento levá-las,
pois nelas deposito minhas palavras
como quem entrega o coração ao impossível.
Se um dia passares por esse jardim invisível,
recolhe uma pétala caída —
sou eu, Marcella,
desfeita em amor,
eternizada naquilo que não morre:
a lembrança do que fomos
sob a luz que ainda nos atravessa.