Francisco Queiroz

Entre frestas

Flores pelas calçadas,

vejo várias, lindas,

em canteiros ornados,

mimadas com adubo,

regadas de zelo.

 

Mas o meu coração se ilumina

quando as vejo desabrochar

no improvável, na dureza

das frestas do concreto.

 

Sem nada a favor,

sem amanhã certo,

expressam com fervor

a sua natureza.

 

Beleza é o que vejo:

nas calçadas,

nos muros,

nas sarjetas.

 

Não se detêm,

nem se deixam levar

pelas condições

severas...

 

E duram o tempo

que lhes dão.

Pois às vezes são

levadas pelas mãos.

 

E vão parar nos cabelos

das meninas,

outras, na fogueira

junto às folhas,

e algumas vão morar

nos canteiros.