Lauraa

Cama

Cama

 

Quanto mais me aquieto na cama menos o tempo parece passar, como se meu juízo final nunca fosse chegar.

Tão eterna essa tristeza êxtazional entre corpo e espírito, nem os mortos queridos, nem esse vazio solar que parece tão fora de lugar.

Quanto mais adormecida fico nessa cama, mais fluido o tempo flui, e cada partícula sua flutua no ar etéreo até se pegar à superfície física que empata a doce liberdade de não existir.

Tão voraz a confluência do corpo com sua consciência que nada nessa tarde quente faz tão cúmplice ardor.

Quanto mais muda fico no aconchego da cama, menos tempo é dinheiro, mais reflexo é atirado para o ramcor sem sentido do mundo onde tudo é usina de silêncio.

Choro então, luas negras de tristeza amarga, sobre a ternura de rosas abatidas por uma flecha perdida em seu percurso, se jogo meus olhos mil vezes pela janela, é sem nenhum ímpeto a esses rojões de sucesso multicoloridos, pouco importa meu nome, conta mais minha alucinação.

Então, me levanto da cama.