Com os pés no asfalto liso de uma escolha apressada,
ainda pulsa o paralelepípedo, a base que precisou ser estruturada.
Dizem que somos livres, o \"ser para si\" em construção,
mas que liberdade é essa, entre o privilégio e o chão?
Olho o jornal do mundo onde as explosões não cessa,
guerras e mortes de nichos distantes, dor que não me atravessa e não machuca.
[Fisicamente]
Sou impotente na macro esfera, um grão na corrente,
mas sou carrasca de mim por me sentir... ausente.
Minha mente em pânico encontra a paz do sofá,
onde a culpa se senta e insiste em ficar.
É o privilégio que queima, a sorte que me dói,
enquanto o silêncio de quem sofre, meu peito corrói.
Como Sarte diria que a fuga é uma má-fé latente,
mas como escolher o mundo, sendo apenas um vivente?
Escolho, então, não ser consumido pela própria lama,
pois a inércia do luto não apaga a chama.
E nesse asfalto novo e a pedra antiga,
escolho a consciência, ainda que ela me persiga.
Sou livre para sentir o peso dessa guerra inteira,
e mesmo caindo em merda, escolher a luz da fronteira