No silêncio do quarto fechado,
onde o mundo não batia na porta,
eu existia em sussurros
metade sombra, metade grito.
Trancafiado não por chave,
mas por olhares que nem estavam ali,
eu me escondia de nomes
que doíam antes mesmo de serem ditos.
“Mais um…”
essa frase ecoava como sentença,
como se ser fosse erro,
como se existir pedisse desculpa.
Mas dentro de mim
não cabia o silêncio que eu fingia,
havia um corpo inteiro pulsando verdade,
um coração que não aceitava ser apagado.
E aquele grito
ah, aquele grito
não era fraqueza,
era vida pedindo passagem.
Porque ninguém é “mais um”
quando luta para ser inteiro.
Ninguém é rótulo
quando carrega um universo no peito
.
E mesmo no quarto fechado,
mesmo na tentativa de desaparecer,
já existia em mim
alguém querendo nascer
Flavis Oureles