Meu coração é um astro tardio,
um pulsar de fim de escuridão.
Minha gravidade é um canto raso,
que atrai somente a própria solidão.
Mas há em ti uma força mais profunda,
um desejo que curva a luz.
E eu — matéria que sonha com o centro —
me desfaço no que me reduz.
Não é um colapso: é uma entrega.
A minha carne, um horizonte.
O teu toque — singularidade —
o ponto onde o tempo me afronta.
E no momento em que me quebro,
nesse súbito e doce espasmo cósmico,
sou finalmente consumida
pelo teu silêncio abissal e místico.
E eis que decifro o código antigo:
o teu desejo, um códice negro e quente.
Na asfixia, achei o assombro —
a assinatura do amor no meu dente.
E nós — temiamos o fim — agora vemos:
o êxtase é se deixar consumir.
Eis que compreendo: o segredo do abismo
era o amor que se inventa ao ser destruído.
E no teu centro, onde eu me perco,
encontro, enfim, meu próprio grito —
transformado em algo primordial,
no desmedido abraço do infinito.
Atração
de Ayalah Verônica Berg