Carlos Lucena

DIAMANTE BRUTO

DIAMANTE BRUTO

Carlos Antônio Alves de Lucena

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Eu não quero ser um diamante fino,
quero a bruteza das pedras rudes
e das joias raras escondidas em suas gemas.

Não me lapides,
e não me diga quanto são caras
ou quanto são extremas.

Deixem-me nas asperezas,
quem sabe até nas minas rústicas
e irreconhecíveis,
onde não ocorrem tantas belezas.

Que eu prossiga
sem necessitar da áspera lima do ourives,
que é tão mais apreciada.

Mas a joia bruta
tem mais a consistência da grandeza,
pois no veio vive, mesmo sem ser polida.

E assim é de tal modo sua beleza
que nem a força de qualquer bigorna
a dará por destruída.

Portanto, sem requerer lapidação,
deixem-me que eu seja
um diamante bruto, mas verdadeiro.

Ainda que me confundam
com as rochas pobres do chão,
deixem-me ser um diamante íngreme
por inteiro.