Te amei como quem acredita em leis fixas,
como se o universo obedecesse ao desejo
e tudo encontrasse seu lugar inevitável.
Mas aprendi, tarde demais,
que o universo é feito de variantes, não constantes.
Nada se repete com exatidão,
nem mesmo o que senti por você
existe em outro ponto do tempo.
Eu era constância tentando te alcançar,
e você, movimento
mudando como as marés que não pedem licença,
como estrelas que não esperam ser vistas para existir.
Te ofereci permanência
num mundo que só sabe variar.
Te dei certezas
quando você era feita de possibilidades.
E assim ficamos
eu, preso na ideia de nós,
você, livre na ausência de qualquer forma fixa.
Talvez o erro nunca tenha sido amar,
mas esperar que o amor
se comportasse como algo eterno, previsível,
num universo que nunca prometeu isso.
Hoje entendo
não houve falta em mim, nem em você.
Só havia diferença de natureza.
Porque enquanto eu era tentativa de constante,
você sempre foi
a mais bonita das variantes