Geralda Maria Pinheiro Figueiredo Pithon

O silĂȘncio da Escolha

O silêncio da escolha

Em silêncio assinei o que não li
No mapa da vida o rumo perdi

A escolha feita em um sopro de engano
Tornou-se a cela de um longo plano

Onde havia o horizonte agora há o muro
O brilho de outrora deu lugar ao escuro

Troquei minhas asas por passos contados
Pelos elos de um peso por mim fabricado

Dói saber que a chave ainda estava na mão
Quando entreguei ao destino minha própria direção

Hoje o dia amanhece sem pedir licença
E a falta de escolha é a minha sentença

Nas cinzas da escolha o fogo não morre
Quem ontem se perde hoje se socorre

Se o muro é alto e o passo é contido
O espírito entende que não foi vencido

A grade que aperta ensina o valor
De ser o mestre da própria dor

Pois quem se prendeu por um sim apressado
Aprende no \"não\" a deixar o passado

Não sou o erro que ontem cometi
Sou a força bruta que nasce daqui

A liberdade embora em atraso
Reconstrói o seu voo no tempo do acaso

Vou transformar o peso em alicerce
Pois só quem se perde é quem se merece

A chave não foi jogada ao mar
Ela espera o momento de me libertar


Meu Lado Poético 
Geralda Figueiredo