Há um silêncio que veste o teu corpo
como se a noite tivesse aprendido a tocar.
Não é pele —
é um poema que respira devagar,
curva por curva,
segredo por segredo.
Teu contorno não pede permissão,
ele acontece —
como a lua quando invade o escuro
sem precisar ser chamada.
Há uma força suave em ti,
daquelas que não gritam,
mas fazem o mundo inclinar-se um pouco
só para olhar melhor.
Teus gestos falam baixo,
mas dizem tudo:
a coragem de existir sem tradução,
a beleza de não caber em definição nenhuma.
E ali,
no encontro entre sombra e luz,
tu não és apenas vista —
és sentida.
Como um verso que ninguém ousou escrever,
como um desejo que o tempo não apaga,
como um instante
que não se repete.
Tu és o que fica
quando o olhar se cala
e o coração entende.