aspirantecronista

Uma velha amiga

Não importa como a vida esteja indo.

É sempre numa terça-feira qualquer

quando ela chega sem avisar.

E antes mesmo de entrar

eu já sinto a sua presença.

Ela entra sem pedir,

sem querer saber como estou.

De maneira inconveniente,

muda meus planos conforme quer.

E eu, sem relutar, aceito.

Mesmo estando bem,

mesmo sem motivos aparente

ela vêm e faz morada.

Não é uma inquilina da minha mente,

mas é uma velha amiga que

sempre aparece.

 

 

O problema é que,

quase sempre,

ela se torna indigesta,

incomoda.

Transforma o dia ensolarado

com essas nuvens cinzas que a seguem.

Faz o silêncio barulhento.

Os segundos parecem horas.

E transforma a solitude

em uma dura solidão.

 

Mas sua estadia sempre tem prazo.

As vezes dias.

Outras vezes semanas.

De qualquer forma,

ela se vai da mesma forma que chega.

Quando eu menos espero

ela recolhe suas coisas e parte.

Nunca diz o porquê,

de vir ou de partir.

Ainda assim, nunca é um adeus.

Está mais para um:

até logo, tristeza.