A BUSCA ETERNA
Nas brumas do Princípio, eu te buscava,
Qual lucerna a brilhar no pensamento;
Antes do mundo, em vago sentimento,
Minha alma a tua ideia já moldava.
No fluxo do ir e vir que nos formava,
Foste a essência viva do alento;
E em toda forma vã de meu lamento
Meu ser contigo sempre se encontrava.
Se o tempo é só o véu que existe aqui,
E esta vida é só um falso avatar,
À esperança entrego a minha cura,
Pois há mil existências te perdi,
E, desde então, te busco em terra e mar,
Vivendo os meus milênios de procura!
Nelson de Medeiros,
27/07/2026