MAISA NALAPE

Desilusão com as pessoas

 A vida pesa mais do que devia,

e eu aprendi —

não porque quis,

mas porque tive —

a virar-me sozinha.

 

Quando o mundo deles desaba,

o meu telefone não descansa:

chamadas, mensagens, urgências

a baterem à minha porta

como se eu fosse abrigo.

 

Mas quando sou eu a cair,

há silêncio.

Um vazio frio

onde ninguém estende a mão.

 

E eu nem peço muito —

não é dinheiro,

não é milagre —

é só escuta,

é só presença,

é só ajuda verdadeira.

 

Mas em vez disso,

chegam críticas,

ecos duros

de quem nunca ficou sozinho

como eu fiquei.

 

Por isso calei pedidos,

endureci o peito,

e fiz de mim caminho

para andar sem ninguém.

 

Mesmo assim,

quando precisam,

volta a tempestade:

chamadas, mensagens,

como chuva insistente

que nunca aprende a parar.

 

Ser boa cansa.

Cansa na pele,

cansa na alma,

cansa num lugar invisível

que ninguém vê —

mas que eu sinto todos os dias.