A vida pesa mais do que devia,
e eu aprendi —
não porque quis,
mas porque tive —
a virar-me sozinha.
Quando o mundo deles desaba,
o meu telefone não descansa:
chamadas, mensagens, urgências
a baterem à minha porta
como se eu fosse abrigo.
Mas quando sou eu a cair,
há silêncio.
Um vazio frio
onde ninguém estende a mão.
E eu nem peço muito —
não é dinheiro,
não é milagre —
é só escuta,
é só presença,
é só ajuda verdadeira.
Mas em vez disso,
chegam críticas,
ecos duros
de quem nunca ficou sozinho
como eu fiquei.
Por isso calei pedidos,
endureci o peito,
e fiz de mim caminho
para andar sem ninguém.
Mesmo assim,
quando precisam,
volta a tempestade:
chamadas, mensagens,
como chuva insistente
que nunca aprende a parar.
Ser boa cansa.
Cansa na pele,
cansa na alma,
cansa num lugar invisível
que ninguém vê —
mas que eu sinto todos os dias.