Teu corpo é casa erguida em luz e vento,
onde repouso a febre e o desatino;
e em tua pele encontro o meu destino
como raiz que aprende o firmamento.
Há um rumor de mar no teu alento,
um sal de eternidade no teu vinho;
bebo-te aos poucos — e, no teu caminho,
me perco para ser mais do que intento.
Amar-te é ter na carne um claro abrigo,
onde o tempo, rendido, se dissolve,
e a vida, enfim, floresce sem perigo.
Somos um só na chama que nos envolve:
teu gesto em mim, meu gesto em ti — e sigo
sendo infinito no que em nós se move.