Sezar Kosta

CHAMA TRANQUILA DO AMOR

Teu corpo é casa erguida em luz e vento,

onde repouso a febre e o desatino;

e em tua pele encontro o meu destino

como raiz que aprende o firmamento.

 

Há um rumor de mar no teu alento,

um sal de eternidade no teu vinho;

bebo-te aos poucos — e, no teu caminho,

me perco para ser mais do que intento.

 

Amar-te é ter na carne um claro abrigo,

onde o tempo, rendido, se dissolve,

e a vida, enfim, floresce sem perigo.

 

Somos um só na chama que nos envolve:

teu gesto em mim, meu gesto em ti — e sigo

sendo infinito no que em nós se move.