A dor é aguda e interminável,
vive na cabeça,
escorre pros olhos,
afunda no peito.
É uma dor tortuosa,
que me persegue nas madrugadas
e nos primeiros sinais do amanhecer.
Mas então vem você…
Sua voz suave,
teu brilho — amarelo, quase pálido,
teu cheiro doce, calmo…
Eu não quero o mundo,
não quero promessas.
Eu só quero te ver.
Te conhecer.
Te ouvir.
Quero você nos meus dias
e nas minhas madrugadas.
Porque a tua imagem já não basta —
ela também dói.
Mas você…
você não é dor.
Você é morfina
pra tudo que em mim sangra.
Como o amarelo do amanhecer,
que insiste em nascer
mesmo depois da noite.