Não chegue perto com pressa —
essa rosa não entende urgências.
Ela foi feita
com restos de sentimentos que sobreviveram,
com pedaços de coragem
que ninguém viu nascer.
Se tocar, toque devagar…
porque cada pétala
é uma memória que decidiu não sangrar mais.
Essa rosa não perfuma —
ela lembra.
Lembra de tudo que tentou ser esquecido
e falhou lindamente.
Há um cansaço bonito nela,
como quem já foi jardim inteiro
e hoje escolhe ser só uma flor
para não se perder outra vez.
Não arranque.
Ela não foi feita para pertencer.
Não ofereça.
Ela não aceita ser símbolo de promessas vazias.
Ela existe
como quem sobreviveu ao próprio fim
e voltou…
não para ser amada —
mas para nunca mais depender disso.
E se mesmo assim
você quiser levá-la consigo…
saiba:
não será você que terá a rosa.
Será ela
que decidirá
quanto de você
vale a pena florescer.