Nelson de Medeiros

PALACIO DE PAPEL

 PALÁCIO DE PAPEL

 

Um dia eu tive um sonho iluminado,

de luzes que brilhavam num salão;

dançava alucinado, sem noção,

num mundo só por mim arquitetado!

 

Mas o tempo passou como um clarão,

e logo despertei, desencantado;

dos sonhos onde estava enraizado,

restou desdém, deserto e solidão!

 

A glória que existiu virou derrota,

e o palácio caiu pelo avesso

num mundo hostil, deserto e em desvairio!

 

Quis encher de afeto a minha rota,

mas a vida, severa, cobra o preço:

— Tenho a minha alma cheia de vazio!

 

                                Nelson de Medeiros, 27/01/2026