PALÁCIO DE PAPEL
Um dia eu tive um sonho iluminado,
de luzes que brilhavam num salão;
dançava alucinado, sem noção,
num mundo só por mim arquitetado!
Mas o tempo passou como um clarão,
e logo despertei, desencantado;
dos sonhos onde estava enraizado,
restou desdém, deserto e solidão!
A glória que existiu virou derrota,
e o palácio caiu pelo avesso
num mundo hostil, deserto e em desvairio!
Quis encher de afeto a minha rota,
mas a vida, severa, cobra o preço:
— Tenho a minha alma cheia de vazio!
Nelson de Medeiros, 27/01/2026