Eu aprendi a te amar no silêncio das coisas que não cabem,
nos intervalos do que nunca foi dito,
no quase que sempre foi mais real que qualquer certeza.
Você chegou sem fazer barulho,
como quem não pretende ficar
e, ainda assim, ocupou espaços
que eu nem sabia que existiam em mim.
Há detalhes teus espalhados em mim,
como estrelas que insistem em permanecer
mesmo quando o céu finge estar vazio.
E eu finjo também…
finjo não esperar,
finjo não querer,
finjo não sentir teu nome atravessando meus pensamentos
como quem já fez morada.
Mas no meio do meu silêncio,
há algo que insiste em se revelar,
não dito, não exposto,
apenas escondido entre as entrelinhas do que escrevo:
Jamais te contei o quanto doeu não poder ficar,
Onde guardo tudo aquilo que nunca tivemos,
Ainda pulsa, mesmo sem existir,
Como um segredo que se recusa a morrer,
You... ainda assim, permanece vivo em mim.
Foi sem querer que você virou tudo,
E entre o que sinto e o que posso, existe um abismo,
Rasgando em silêncio cada tentativa de esquecer,
Noites inteiras tentando te deixar ir,
Ainda que meu coração não aceite,
Nem entenda essa despedida constante,
Dentro de mim você continua,
Em cada detalhe que não te conto,
Sempre ali, mesmo ausente.
Dói saber que não posso esperar,
E que o tempo não vai conspirar a favor,
O que ficou foi esse amor impossível,
Lento, profundo, escondido,
Inteiro mesmo sendo metade,
Vivendo de lembranças que nunca aconteceram,
E entre sonhos que não posso sonhar,
Insisto em te sentir,
Resistindo ao que deveria acabar,
Ainda que eu saiba que não vai.
Junto de tudo isso, carrego teu silêncio,
Uma presença que não me pertence,
Num amor que não posso viver,
Impossível de apagar,
Oculto em cada verso que escrevo,
Resguardado… como nós.
E assim sigo,
te amando no único lugar onde posso:
no não dito,
no não vivido,
no quase.