Francisco Queiroz
Balanço
Deitado na rede a balançar,
olho as estrelas,
tentando-as alcançar.
O ranger da corda,
em noite fria,
a coruja no muro
a chirriar.
O meu gato
nos vigia e
sacode o rabo
de forma pendular...
Hipnótico.
De lá para cá,
há algo também
a nos observar?
De lá para cá,
aponto meu dedo,
sonho estar lá.
Adormecido,
subo no balanço,
além da nossa esfera.
Tudo tão cheio
como minha rede,
tudo tão vazio
como minha cama.
Desço no solavanco
do gato manhoso,
pulando na rede,
me arranhando.
Hora de me levantar.