Deus, meu Senhor, eu Te quero aqui.
Sei que sou difícil —
ainda assim, peço: perdoa-me.
Sou pecador, sou impuro,
e sinto minha própria humanidade
a me corroer por dentro.
Queria, no entanto, ser santo.
Mas ser santo… é árduo.
Queria ver o amor, senti-lo vivo,
mas encontro dor em cada canto.
A maldade consome o mundo,
e o mundo silencia.
E eu — que denuncio —
também sou tomado por ela.
Porque o humano habita em mim,
em cada parte do que sou
e do que ainda serei.
Se eu pudesse me despir dessa essência
e Te alcançar no céu,
eu iria sem hesitar.
Por isso Te peço:
arranca de mim o que é treva.
Preenche-me com o Teu Espírito,
para que, pelo Verbo,
eu Te alcance.
E livra-me do que é humano —
não por soberba,
mas porque estou disposto ao peso
de existir diferente.
Num mundo onde negar a si mesmo
é dor constante,
mas também
caminho de luz.