No teu peito
descansa um pequeno universo,
um coração de prata
que não bate —
mas sente.
Ele não faz barulho,
não pede atenção,
apenas fica ali,
como segredo guardado
entre a pele e o tempo.
É um coração suspenso,
preso num fio delicado
como se o amor
tivesse aprendido
a não cair.
Brilha baixo,
quase tímido,
como quem sabe
que as coisas mais fortes
não precisam gritar.
E eu olho para ele
como quem lê um sinal:
há histórias que não se dizem,
apenas se carregam
junto ao peito.
---Stiviandra Lume