E eu esperei,
Esperei e esperei,
Contei os dias e os segundos
Até as ondas do mar…
E ele não voltou,
Deixaste-me inteiramente no cais,
Com os olhos presos no horizonte
E a alma ancorada em jamais.
O vento trouxe teu nome,
Mas nunca teu corpo,
E o sal que beija meus lábios
Já não distingue lágrima de porto.
Houve noites em que acreditei
Ouvir teus passos na areia,
Mas era só o vazio
Brincando com minha ideia.
Te foste sem despedida,
Sem um adeus ou razão,
Deixando em mim esse silêncio
Que ecoa feito imensidão.
Não sei se o tempo te levou
Ou se escolheste partir,
Só sei que em cada maré que sobe
Algo em mim insiste em ruir.
E mesmo assim, ainda espero…
Não mais por tua volta, talvez,
Mas por um dia em que a dor
Cesse de te procurar em mim outra vez.