Somos escravos de algo? Será a liberdade apenas uma ficção? Essa é uma ideia extremamente desconfortável. Porque, se levada a sério, ela destrói por completo uma das crenças mais fundamentais da humanidade: a que somos livres. Para Arthur Schopenhauer, não somos livres. Para o alemão, somos todos escravos das nossas próprias vontades. Imagine uma pessoa com fome diante de duas escolhas: uma maça e um chocolate. Ao escolher a maça, essa pessoa pode acreditar que fez uma decisão racional, consciente e livre. Mas, na verdade, apenas seguiu o desejo que falou mais alto naquele momento. Seja o desejo de ser saudável, ou uma preferência pessoal, ou algo mais inconsciente. No fim, não escolhemos entre querer ou não querer. Apenas obedecemos. O desejo não é algo que controlamos completamente. Ele surge, insiste, e muitas das vezes decide por nós antes mesmo que percebamos. Assim como a fome, que não escolhemos sentir, existem impulsos mais sutis que moldam nossas decisões todos os dias. E se assim é... até que ponto somos verdadeiramente livres? Poque, antes de sermos livres do mundo... somos prisioneiros de nós mesmo.