Amarildo gastão
Aonde está o seu coração?
Onde está o teu coração,
dize-me, em que horizonte se esconde?
Pois sei — como o vento sabe do mar —
que onde repousa o coração,
ali floresce também o tesouro.
Mas… e o meu?
Onde tem estado o meu coração
desde que se perdeu de mim?
Houve um tempo — lembras? —
em que ele ardia como chama viva,
amava sem medida, sem medo, sem fim.
Era casa, era abrigo,
era porto onde o amor ancorava
sem receio de naufragar.
Hoje… é silêncio.
Um eco distante de algo que já foi inteiro.
Um vazio que carrega lembranças
como quem segura cinzas
de um fogo que já não aquece.
Perdi-o.
Não sei em que esquina do tempo
ou em que abraço mal guardado
ele decidiu ficar.
E com ele…
foi-se também o meu tesouro.
Ah, esse tesouro…
nem o ouro mais puro de Ofir
ousaria comparar-se à sua luz.
Era raro, era vivo, era eterno —
ou assim eu julgava.
Mas o amor, esse viajante imprevisível,
partiu com ele.
Silencioso… sem despedida…
como quem leva consigo
tudo aquilo que um dia fomos.
E agora caminho…
não como quem se perdeu no mundo,
mas como quem perdeu a si mesmo.
Ainda assim, há em mim
uma centelha teimosa,
uma esperança suave
que insiste em sussurrar:
“Talvez o coração não se tenha perdido…
talvez esteja apenas à espera
de ser encontrado de novo —
por mãos mais verdadeiras,
por um amor mais inteiro,
ou por mim.”
Então volto a perguntar,
não apenas a ti, mas ao destino, ao tempo, à vida:
Onde está o teu coração?
E se o encontrares…
cuida dele.
Pois há corações
que, uma vez perdidos,
levam consigo
tesouros que nunca mais voltam.