Nesta xícara
o mundo não cabe inteiro —
mas cabe o instante
em que eu respiro mais devagar.
O café repousa
como um segredo quente
que ninguém ousou dizer em voz alta.
Ele não grita…
ele permanece.
Há um leve tremor na superfície,
como se guardasse memórias
de mãos que já aqueceram outras manhãs,
de olhos cansados
que ainda assim escolheram continuar.
Eu aproximo os lábios
e não bebo apenas café —
bebo coragem líquida,
um tipo raro de amor
que não pede para ser entendido.
E ali,
entre o amargo e o doce quase escondido,
descubro algo só meu:
que mesmo nos dias mais silenciosos,
sou eu
quem me aquece por dentro.
— Stiviandra Lume