Oswaldo Jesus Motta

Mãos imperfeitas

Corpo cansado

marcado

estremecido

a memória já não guarda —

reescreve

verdade instável

um silêncio

que pergunta

e não aprende

a responder

falho:

hesito

esqueço

do outro lado,

o mundo —

máquinas exatas

(e nós tentando acertar o suficiente)

cálculos sem desvio

respostas prontas

mas o que nos sustenta

não é a chegada —

é o que falta no caminho

no mapa entre os dedos

essa linha falha

por onde ainda escapa

o gesto

a pausa

um resto de cuidado

e seguimos

tentando segurar

com mãos imperfeitas

ainda cheirando a café

o que insiste

em evaporar.