Eu já percebi
que a ansiedade não passa
ela só me prende
em versões de mim
que eu não reconheço
Na prova
No silêncio
No som do relógio
batendo mais alto que meu pensamento
Eu leio
Eu entendo
Ou acho que entendo
E erro
denovo
e di novo
e de novo
Como se minha mente
travasse exatamente
no momento em que eu mais preciso dela
E só depois
quando já acabou
quando já não tem mais tempo
nem volta
Tudo fica claro
Simples demais
Quase cruel
Como se eu estivesse
presa dentro de mim
assistindo alguém errar
sem conseguir interromper
E aí perguntam
“como foi?”
e eu queria dizer
Que tem um barulho aqui dentro
que não desliga
Que tem um peso no meu peito
que queima
Que respirar às vezes falha
como se o ar não fosse suficiente
Como se a pressão nos meus pulmões fosse fazer eles explodirem.
mas eu digo
“foi ok”
porque ninguém quer ouvir
o que não tem solução rápida
E tem dias
em que meu corpo recusa tudo
até comida
até descanso
como se existir
já fosse esforço demais
Estou cansada
e minha mente não para
não cansa
não me deixa
É como estar acordada
dentro de um lugar
que não tem saída
e o pior é que eu sei
que parece exagero
de fora
(E que talvez, caro leitor,
Você não esteja entendendo nada)
Mas por dentro
é constante
é alto
é agora
o tempo todo
E mesmo assim
eu continuo aqui
não porque eu consegui
me acalmar
não porque passou
Mas porque alguma coisa em mim — mesmo com TUDO —
ainda tenta me puxar de volta
como se, em algum lugar
ainda existisse
uma versão de mim
que sabe respirar
E eu só precisasse
alcançar ela
antes de me perder de vez.