Brendon Leão

MINHA AMIGA DAS CARTAS

Tua caligrafia, doce e sincera,

Guardava segredos, risos e dor,

Nas folhas amareladas de uma era,

Onde a inocência bordava o amor.

 

Cada palavra, um eco distante,

De um tempo em que o mundo era tão vasto,

E teu carinho, fiel e constante,

Fazia do simples um sonho devasso.

 

Amiga das cartas, estrelas guardiãs,

Tuas palavras me rasgam a alma,

Marcas tão fundas, eternas manhãs,

Que resistem ao tempo, ao silêncio, à calma.

 

Era amizade? Ou algo maior?

Algo que a vida jamais revelou,

Um elo profundo, que, mesmo sem cor,

Na memória vibrante se eternizou.