Ei, amor…
Eu fico aqui pensando em tudo que a gente viveu.
As noites que a gente ria até doer a barriga,
as viagens sem destino com o carro velho e a música alta,
aquele dia que choveu e a gente ficou dançando na sala molhada,
o jeito que você dormia no meu peito e eu tinha medo de me mexer pra não acordar você.
Foram tantas lembranças boas…
tanta coisa que ainda me faz sorrir quando aparece do nada.
A gente se amou de verdade, né?
Se entregou, se machucou, se curou, se despedaçou e se reconstruiu várias vezes.
Mas chegou o fim.
A gente se olhou um dia e viu que o caminho tinha se dividido.
Não foi briga feia, não foi traição, não foi ódio.
Foi só… vida.
A gente cresceu em direções diferentes,
os sonhos mudaram, as prioridades mudaram,
e a gente, por mais que doesse, teve coragem de soltar a mão um do outro.
Cada um seguiu seu caminho.
Você com as suas coisas, eu com as minhas.
E por um tempo doeu pra caralho.
Mas com o tempo as dores foram ficando pra trás junto com as brigas,
as inseguranças, as noites sem dormir.
O que sobrou foram só as lembranças felizes.
E elas são lindas exatamente porque ficaram no passado.
São como fotos antigas: bonitas, coloridas, cheias de luz…
mas se você tenta voltar pra dentro da foto,
ela rasga, desbota, perde a graça.
Eu penso em voltar às vezes.
Penso em te ligar, em dizer “vamos tentar de novo”.
Mas eu sei que não é você que eu quero de volta.
É o tempo que a gente viveu.
É aquela versão de nós dois que cabia um no outro sem esforço.
É a ilusão de que a gente pode reviver o que já foi perfeito.
Se a gente voltar agora,
vai levar junto todas as dores que a gente deixou pra trás.
Vai estragar as lembranças boas que ainda brilham.
Porque o que a gente quer não é o presente.
É o passado.
E o passado não volta.
Ele só fica bonito enquanto a gente não tenta arrastá-lo pro agora.
Então deixa assim, meu amor.
Deixa as lembranças onde elas estão:
guardadas, doces, intocadas.
A gente já viveu o que tinha pra viver.
Já amou o suficiente pra dizer que valeu a pena.
Se a gente se encontrar por aí um dia,
a gente sorri, troca um “tudo bem?”,
e segue em frente.
Porque o nosso amor foi lindo.
Mas foi.
No passado.
E é exatamente por isso que ainda é bonito.
Cuida de você.
Eu vou cuidar de mim.
E quem sabe, um dia,
a
gente consiga lembrar um do outro
sem querer voltar no tempo.