Sob a luz que desenha o relevo de seda,
Tua pele é planície onde o tato se perde,
Um convite ao pecado que a mente degreda,
No pomar de delícias que o desejo verde.
És o mármore vivo, em curvas moldado,
Onde o busto transborda em desenho divino,
Cada vinco de carne é um verso sagrado,
Que altera a rota do meu próprio destino.
Há um gozo erudito em trilhar teus volumes,
Nessa dança de sombras que o corpo comporta,
Exalando a essência dos mais raros perfumes,
Enquanto a luxúria nos abre a comporta.
Nesse abraço de massas, o espírito ascende,
Entre o arfar opulento e a febre que queima,
Pois só quem na fartura o prazer compreende,
Sabe que a forma plena é a deusa que teima.