O ônibus das 18h20 tem um balanço
que imita o ritmo de um diálogo.
Entra um silêncio, sai um silêncio,
cada parada é uma frase que não foi dita.
Eu sento ao lado do lugar vago
e finjo que está ali,
ensaiando a pergunta que nunca achei o tom,
[ mas que diabos que aconteceu aqui e ali? ]
E de certa forma não é ausência.
Ausência é vazia.
É um móvel no meio da sala
que eu desvio todo dia
e todo dia esbarro e bato a ponta do mindinho...
Queria conversas, no plural,
como quem quer a planta inteira,
não só o fruto.
Mas chegou ao ponto final
[E o ônibus para em um cruzamento ]
O fechamento não veio.
Talvez ele nem exista.
Talvez fechar seja isso,
aprender a habitar o que não responde.
E se nunca chegar,
o que faço com essa escuta que insiste?
Guardo na garganta?
Transformo em escrita?
Deixo ela escutar outra pessoa,
quem sabe?
Merecer? Deveria.
Mas o que deve e o que dá
raramente se encontram no mesmo ponto.
Então eu sigo,
junto com o ônibus.
Porque a estrada não pergunta
se eu quero companhia.
E não tem resposta certa, só a que dá e trás paz.
Sem questionamentos e teorias...