Ramalho original

O desejo de algo mais...

Há como te desejo.

Mas não é apenas desejo.

É algo que me atravessa em silêncio
no meio do dia,
quando estou distraído,
quando estou só,
quando finjo estar inteiro.

Todos os dias.
Todas as horas.
Minutos.
Segundos.

Meu ser se instiga
não apenas pelo toque imaginado das suas mãos,
mas pela ideia de ser tocado por você
de um jeito que vai além da pele.

Um único pensamento seu
já desorganiza tudo aqui dentro.

Seu olhar não me olha apenas —
ele me percebe.

Sua presença não ocupa espaço —
ela me preenche.

E o seu perfume…

Ah, o seu perfume doce.

Ele não é só cheiro.
É memória.
É abrigo.

Ele me leva para manhãs antigas,
quando eu caminhava cedo
sentindo o mundo acordar devagar,
respirando fundo
como se a vida estivesse começando ali.

O perfume das flores silvestres,
a terra úmida pelo orvalho da madrugada,
o frio leve na pele
e a promessa silenciosa de um novo dia.

Você me leva para esse lugar.

Um lugar onde tudo é mais puro.
Mais verdadeiro.

Meus olhos te percorrem inteira,
não com pressa,
mas com reverência.

Minha mente ousa te despir,
sim —
mas antes disso,
ela te acolhe.

Nos coloca em meu quarto frio,
frio de propósito,
não só para o calor dos nossos corpos,
mas para sentir
que você escolhe ficar.

Conchinha.
Respiração tranquila.
Silêncio confortável.

Não é só o sexo intenso que eu desejo.

É o depois.

O descanso.
O corpo relaxado.
Sua cabeça apoiada em mim.
Nossos dedos entrelaçados
como se o mundo pudesse esperar.

Quero você nos momentos únicos,
nos intensos,
nos calmos,
nos vulneráveis.

Seja minha
agora,
à tarde,
à noite,
na madrugada,
no dia seguinte.

E se for possível,
seja minha também nos medos,
nas inseguranças,
nos dias em que eu não for tão forte.

Serei seu.

Não apenas com desejo,
mas com presença.

Com intensidade,
com carinho,
com afeto que não acaba depois do toque,
com cuidado que permanece
quando o quarto já não está frio
e o mundo volta a chamar.

Eu te desejo —

mas, acima de tudo,
eu te sinto.