Francisco Claudio Claudio Gia

###\"O CICLO DA SEDE E DO SAL\"

###\"O CICLO DA SEDE E DO SAL\"

?Autor: Claudio Gia
Macau / RN 22 de março de 2026
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?Vinte e dois de Março
Dia mundial d’águas, tempo de lembrar
Que a gota que brota da fonte singela
É a mesma que o homem precisa guardar.

?Não nasce no mapa, não morre no papel
Nasce da chuva que a serra destampa
E corre pro rio, pro mar, pro céu
Num ciclo que o olho do sertão não se cansa.

?Em Macau, onde o sal se faz pão
E a água é moeda de prata e de luta
O povo aprendeu que nascer no sertão
É saber que a nascente não é fruta que se colhe
— é raiz que se enxuta
Mas que planta de novo se o chão escutar.

?Água é vida, e vida é também
Esse fio que amarra o passado ao amanhã.
Se hoje é o dia de olhar para o poço
É dia de saber que sem ela não há.

?Que o vento não leve, que a terra não engula
Que a sede não mude o homem em pedra.
Que o mar, que é tão grande, um dia não fique
Sem o rio que a serra ainda lhe empresta.