Sou carbono em trânsito,
Fósforo no bolso que não acende,
Procuro âncora sem pregar âncora,
Apoio-me na parede que range quando chove.
Na sala, o copo trincado guarda minha voz;
Quem fica aprende a abrir a janela devagar,
A dor vem de jaleco e fala com voz de recepção,
Marca consulta e some antes do fim do expediente.
Curei e feri com as mesmas mãos que acendem luz,
O “eu” que planejei é mapa rasgado na gaveta,
Ainda assim, todas as noites eu risco o fósforo —
Não para queimar, mas para ver como a chama me olha.
By Lunix.L