Freddie Seixas

Equação do Caos

De 1 a 10 eu me apaixono, mas de 0 a 100 eu me desfaço.
Sou intensidade sem freio, um cálculo errado no compasso.
De 8 a 80 eu vivo… eu transbordo,
não conheço meio termo ou direção.
Do 5º dia útil eu sobrevivo, mas é no vazio que sigo na solidão.
No 14º dia do 3º mês de um ano qualquer que me atravessa, 2026 me encara no espelho, e eu me vejo com 32 anos mais ainda assim preso 
Mais velho por dentro, mais cansado por fora, um corpo no presente com a alma que já foi embora.
Em 1 loira eu me encontrei, em 2 doses me afoguei,vem 3 horas apaguei o mundo, mas em 6… eu despertei.
Sem saber onde era chão, sem saber onde era eu, cabeça pesada de escolhas
que o meu peito nunca esqueceu.
Coração a 100 por segundo, vida por um triz…quase que um revólver 38 resolve o que a dor nunca quis.
Quase vi o fim de um ciclovantes do 32 chegar, quase fui mais um número que ninguém vai lembrar.
Mas 1 amigo me puxou de volta, quando eu já não via saída.
1 Deus gritou meu nome no silêncio da ferida.
E 1 filho… ah, 1 filho basta pra reescrever direção.
Pra fazer 0 virar começo e dar sentido à equação.
Foram 40 dias em guerra, joelho no chão, coração em brasa, revivendo o menino de 10 anos que chorava perdido na sala de aula.
Que não entendia os números, mas já sentia demais, um pequeno infinito em dor que ninguém somava jamais.
Hoje eu sei…
não sou conta que fecha, nem lógica que explica.
Sou erro, excesso, ruptura, sou alma matemática em crise infinita.
E se amar é me dividir, e viver é me multiplicar na dor…
que eu seja então esse cálculo imperfeito,
mas que ainda insiste em dar valor.

 

Por Freddie Seixas