MAISA NALAPE

O duelo emocional entre amor perdido e arrependimento, e a busca pela reconstrução e liberdade pessoal diante do passado.

Voz 1:

Escolheste outra…

Outra companhia!

E minhas palavras?

Rasgadas como pergaminho ao vento!

Anos…

Anos de silêncio congelado…

Tudo que eu era…

Tudo que te dei…

Virou pedra em meu peito.

 

Voz 2:

Curva-te, dobra-te, desaparece…

Sim, deixei-te partir.

Achei que ser livre te faria feliz.

Mostrava sorrisos, luzes…

Mas a sombra sempre me seguia.

No dia, eu ria.

Na noite, eu sangrava.

 

Voz 1:

E agora… depois de tudo…

Chegas com remorso?

Como se minhas cicatrizes fossem mapas para tua culpa?

O caos…

O caos que deixaste…

Sou eu quem o carrego!

 

Voz 2:

Não… o caos…

Não é fim…

É renascimento.

Cada tropeço… cada dor…

Foi para te encontrar no reflexo da minha própria falha.

Sempre te amei!

Sempre!

Mas meus erros…

Minhas vaidades…

Foram tempestades que eu causei.

 

Voz 1:

E quem paga, afinal?

Sou eu!

Eu quem senti o medo!

Eu quem fechei portas que não te deixam entrar!

Quem fecha o endereço de quem um dia amou?

Eu!

 

Voz 2:

Sim… errar é aprender…

Mas o preço…

O preço… foste tu que o carregaste!

Fechaste-me fora…

Mas ainda desejo…

Ainda desejo tua compreensão…

 

Voz 1:

Compreensão?!

Entre nós não existe!

Segue tua estrada!

Não quero tuas palavras.

Não quero tua amizade.

Reconstrui-me…

E o passado…

O passado jaz morto dentro de mim.

 

Voz 2:

Então… ouve-me…

Desejo…

Desejo que um dia…

Sejas capaz…

De me perdoar.