Voz 1:
Escolheste outra…
Outra companhia!
E minhas palavras?
Rasgadas como pergaminho ao vento!
Anos…
Anos de silêncio congelado…
Tudo que eu era…
Tudo que te dei…
Virou pedra em meu peito.
Voz 2:
Curva-te, dobra-te, desaparece…
Sim, deixei-te partir.
Achei que ser livre te faria feliz.
Mostrava sorrisos, luzes…
Mas a sombra sempre me seguia.
No dia, eu ria.
Na noite, eu sangrava.
Voz 1:
E agora… depois de tudo…
Chegas com remorso?
Como se minhas cicatrizes fossem mapas para tua culpa?
O caos…
O caos que deixaste…
Sou eu quem o carrego!
Voz 2:
Não… o caos…
Não é fim…
É renascimento.
Cada tropeço… cada dor…
Foi para te encontrar no reflexo da minha própria falha.
Sempre te amei!
Sempre!
Mas meus erros…
Minhas vaidades…
Foram tempestades que eu causei.
Voz 1:
E quem paga, afinal?
Sou eu!
Eu quem senti o medo!
Eu quem fechei portas que não te deixam entrar!
Quem fecha o endereço de quem um dia amou?
Eu!
Voz 2:
Sim… errar é aprender…
Mas o preço…
O preço… foste tu que o carregaste!
Fechaste-me fora…
Mas ainda desejo…
Ainda desejo tua compreensão…
Voz 1:
Compreensão?!
Entre nós não existe!
Segue tua estrada!
Não quero tuas palavras.
Não quero tua amizade.
Reconstrui-me…
E o passado…
O passado jaz morto dentro de mim.
Voz 2:
Então… ouve-me…
Desejo…
Desejo que um dia…
Sejas capaz…
De me perdoar.