Na ordem silenciosa dos dias, eu caminho só.
Sem pressa, sem ruído, sem necessidade de plateia.
Há uma disciplina no vazio
como se o mundo, enfim, respirasse no seu ritmo natural.
A solidão não me fere; ela me organiza.
Retira excessos, alinha pensamentos,
como quem limpa uma lâmina
até que reste apenas o corte essencial.
Não há abandono aqui,
há escolha.
Estar só não é falta
é presença sem distração.
Aprendo a ouvir o que antes se perdia
o peso exato das minhas ideias,
o limite do que posso controlar,
e a leveza de aceitar o que não posso.
Se o mundo insiste em ruídos,
eu me recolho em método.
Se o caos bate à porta,
respondo com silêncio.
Porque na solitude
não há máscaras para sustentar,
nem expectativas para carregar
apenas o exercício contínuo de ser.
E ser, por si só, basta.