Naquela tarde fria,
em que meus olhos achavam ter visto
a beleza da vida pela última vez,
vi, em sete minutos, um filme: um filme dirigido por todos vocês.
Lembrei-me dos tombos e das risadas,
das quedas, das palhaçadas.
Revivi todos os momentos,
senti de novo a alegria,
mas, quando me envolvi,
vi que nada mais sentia.
Não sentia o vento da correria,
o sinal tocando.
As vozes foram se apagando devagar
e, como num passe de mágica,
vi o tempo passar.
Não chore pela partida;
a vida é mais do que você ou eu pedi. Levo comigo cada instante, cada lembrança, mesmo distante.
Nem você, nem eu: ninguém diria.
O que eu tanto odiava,
tanta falta sentiria.
Reclamava sem me dar conta
de que, na despedida, choraria.
Até logo, até breve.
Quem sabe nos encontremos um dia?
Afinal, de cada sorriso desses rostos,
eu nunca me despediria.