Sou um caçador de palavras.
Estou sempre a procura de uma que me sirva
Mas parece que nenhuma se encaixa
Ou eu não me encaixo em nenhuma
Então eu crio.
Crio palavras.
Sou um criador de palavras.
Esmilinguidou-se, birimbimbou-se, refeiçoei.
Porque verbar é uma dança
E adjetivância uma mania, chata de alegria
De querer explicar quão bom foi o dia
Ou a torrada na madrugada com manteiga derretida
E talvez chegue um dia
Que as palavras se esgotem
As vezes, na maioria das vezes,
Esse dia já chegou
Então eu canto.
Ando cantante, ando contente.
Pra tentar reinventar as palavras.
E o que elas não conseguem dizer,
A melodia diz por elas.
Mas quando se atinge o limite do
compasso
Passo a passo, gota a gota
A lágrima cai
Os olhos brilham
De dor, de medo, alegria, melancolia
Não digo mais nada
Não abro minha boca
Pode ser que não entendam
Pode ser que nem percebam
Mas estou sempre falando
Criando um jeito novo
Sem me preocupar em ser coerente
Em traduzir a minha alma.
Sim, eu sou, sou um caçador de palavras.