Camily Estefhany

Despedidas

Onde foi que eu errei? Essa pergunta não sai da minha cabeça agora, e o pior: não tem resposta exata.
Eu nunca fui boa com despedidas. Na real, eu fujo delas. Evito, desvio, finjo que não é comigo. Acho que isso vem de muito tempo… talvez lá da infância mesmo (Freud explicaria? talvez).
Eu lembro bem: depois dos almoços em família, meus pais iam se despedir, aquele “tchau, até domingo que vem”. Eu não. Eu já tava dentro do carro, quieta, esperando acabar logo. No último dia de aula? Eu simplesmente não ia. Sempre dei um jeito de não viver o momento final.
E acho que entendi uma coisa: o problema nunca foi o adeus em si. É o que vem com ele. É aquela sensação meio crua de que aquilo não vai mais existir do mesmo jeito. De que acabou.
Então, no fundo, eu não fujo da despedida… eu fujo do “nunca mais”. Porque, no fundo, ir embora nunca foi o difícil, difícil é aceitar que certas versões da vida não voltam.

— Camily Estefhany.