Ensinar é como preparar um feitiço:
uma mistura de mágica e muita diversão —
e eu confesso, baixinho,
que às vezes erro a dose da seriedade
e acabo temperando tudo com riso demais.
Mas quem disse
que o universo não gosta de cócegas?
No meu caldeirão improvisado
— que também atende pelo nome de “sala de aula” —
eu mexo conceitos como quem mexe nuvens:
um pouco de lógica,
duas pitadas de dúvida,
e aquela colher generosa de “e se...?”
Porque viver, no fundo,
é esse experimento sem bula,
onde a gente aprende errando a receita
e acerta… por acidente feliz.
Outro dia, perguntei à minha própria sombra:
“E se eu não souber ensinar direito?”
Ela, sempre dramática, respondeu:
“E se ninguém souber viver direito também?”
Rimos juntas —
eu e minha crise existencial —
feito duas velhas amigas tomando chá de incerteza.
Ensinar é como preparar um feitiço, repito,
mas ninguém fala do susto
quando ele funciona.
Quando um olhar acende
como lâmpada recém-descoberta,
quando uma dúvida vira borboleta
e pousa, leve, no ombro da compreensão.
Nessas horas, percebo:
não sou bruxa, nem mestra, nem oráculo —
sou só alguém
que dança com perguntas no escuro
e, vez ou outra,
tropeça na própria resposta.
E talvez seja isso
o tal sentido da vida
(ou pelo menos um rascunho simpático dele):
misturar o invisível com o improvável,
rir do que não entendemos,
e seguir — meio mágicas, meio humanas —
inventando significados
como quem inventa receitas
sem medo de queimar o bolo.
Porque, no fim,
se o feitiço falha, a gente aprende.
Se funciona… bom, aí é pura festa.
E entre uma gargalhada e outra,
vou ensinando —
ou melhor,
vou me ensinando a existir.