Luana Santahelena

Receita de Feitiço com Giz e Gargalhadas

Ensinar é como preparar um feitiço:

uma mistura de mágica e muita diversão —

e eu confesso, baixinho,

que às vezes erro a dose da seriedade

e acabo temperando tudo com riso demais.

 

Mas quem disse

que o universo não gosta de cócegas?

 

No meu caldeirão improvisado

— que também atende pelo nome de “sala de aula” —

eu mexo conceitos como quem mexe nuvens:

um pouco de lógica,

duas pitadas de dúvida,

e aquela colher generosa de “e se...?”

 

Porque viver, no fundo,

é esse experimento sem bula,

onde a gente aprende errando a receita

e acerta… por acidente feliz.

 

Outro dia, perguntei à minha própria sombra:

“E se eu não souber ensinar direito?”

Ela, sempre dramática, respondeu:

“E se ninguém souber viver direito também?”

 

Rimos juntas —

eu e minha crise existencial —

feito duas velhas amigas tomando chá de incerteza.

 

Ensinar é como preparar um feitiço, repito,

mas ninguém fala do susto

quando ele funciona.

 

Quando um olhar acende

como lâmpada recém-descoberta,

quando uma dúvida vira borboleta

e pousa, leve, no ombro da compreensão.

 

Nessas horas, percebo:

não sou bruxa, nem mestra, nem oráculo —

sou só alguém

que dança com perguntas no escuro

e, vez ou outra,

tropeça na própria resposta.

 

E talvez seja isso

o tal sentido da vida

(ou pelo menos um rascunho simpático dele):

misturar o invisível com o improvável,

rir do que não entendemos,

e seguir — meio mágicas, meio humanas —

inventando significados

como quem inventa receitas

sem medo de queimar o bolo.

 

Porque, no fim,

se o feitiço falha, a gente aprende.

Se funciona… bom, aí é pura festa.

 

E entre uma gargalhada e outra,

vou ensinando —

ou melhor,

vou me ensinando a existir.