Francisco Queiroz

Consegue se segurar?

Quando começou a dança?

Será que ainda dormíamos em árvores?

Tinha batida ou só movimento?

 

Desde que começamos a desenhar,

o balanço já era rabiscado.

Era, e é, uma forma de se expressar.

 

Dizem, os românticos:

lua e terra fazem par,

pássaros a encantar,

Dança sol e dançam folhas...

 

Enfim, cada ciclo um passo.

Tudo dança, já que tudo vibra...

E nessa vida para fugir do ritmo,

Há de fazer força para não acompanhar.

 

E me diz, junto ou sozinho?

Com som nas alturas?

Ou de rosto coladinho?

Para flertar ou se soltar?

 

Rápido, desengonçado;

Calmo, ritmado.

Isso importa?

 

Pobre vida que não dança,

seja porque desaprendeu

ou mesmo por vergonha.

 

Todos têm direito!

Pelo menos uma, memorável.

Como no começo:

se ainda tiver vida, dance!